Relato da Conquista da Contagem Regressiva no Irmão Maior

A via fica logo a direita da Patrick White; a graduação deve ficar em torno de 6º VIIb/c, 5 enfiadas no total e muitas fendas. São necessárias duas cordas para descer.

Relato a 4 mãos por Flavio Barbosa Ramos e Suzana Hinds- co- conquistadores.

Flavio Barbosa na ralação

Flavio Barbosa na ralação

“Conquistadores : Mestre Leone , Susaza hinds , Guilherme e eu.
Leone me liga e fala ” Barbosa temos uma tarefa para ser feita , você tem o dia todo livre ? ” Falei que sim.
Encontrei com o Leone bem cedo no irmão maior. Levamos : Equipamento básico + equipamento de guia + equipamento móvel (1 jogo de nut, 1 jogo friend, 1 jogo de camalot, 1 jogo micro nut) + equipamento de conquista (furadeira, bateria reserva, martelo, grampo, chapeleta, parafuso, soprador, brocas…)

1º dia de conquista : (Leone e eu)

Encaramos uma subida de 382 degraus até a base da via, nos equipamos para começar a conquistar, Leone bateu o 1 º grampo da via a uns 4 m da base e foi subindo até a segunda proteção (móvel). Conforme passava o tempo, Leone subia e ia conquistando de uma forma planejada e pensando nos lances antes de bater o grampo. Imagina um escalador subindo pesado com um monte de equipamento na sua cadeirinha e ainda uma furadeira com media de 4kg nas costas… num dado momento ele bateu dois grampos onde seria a nossa 1ª parada dupla, fui escalando até ela muito devagar pois a graduação era alta devia ser um 6° ou 7 e essa parada dupla tá a uns 30 m da base .

Mas como se faz para bater grampo? Vou tentar responder…
Antes te bater o grampo deve-se planejar , pensar nos movimentos que o escalador vai fazer, por muitos momentos eu via o Leone escalar e desescalar antes de bater o grampo, a broca tinha um esparadrapo no qual marcava até onde deveria furar a rocha, depois pegava um soprador colocava no furo e retirava as particulas de rocha de dentro do buraco, feito tudo isso coloca-se o grampo e muita muita marretada nele.

Leone conquistou mais 30 metros bem verticais em agarras pequenas quando ele bateu a parada dupla e montou minha segurança , mas eu só caia e usei o prussik para chegar até ele , pois chegando na parada dupla ele afirma que no dia seguinte iria conquistar o diedro.

Eu não tenho curso de móvel e não sabia nada de móveis (quando se está conquistando devemos ser precisos quando o conquistador pede uma peça móvel e essa habilidade não estava para minha pessoa). Pensei na hora: vou chamar a Suzana pois ela tem um bom conhecimento em móvel e vai ser de grande ajuda .

2º dia de conquista (Leone, suzana e eu)

Tudo denovo… anda-se até a base da via a ser conquistada com bastante peso, chegamos na base e o Leone foi até onde tinha terminado a conquista e deixou a corda fixa para a suzana jumarear e eu (prussikar), nesse dia Leone não tava muito bem pois tava gripado logo numa das partes mais dificeis a ser conquistada. Pois bem la foi ele, colocando nuts pequenos, e friends pequenos também , infelizmente tivemos que parar a conquista pois nesse dia entrou uma frente fria e tivemos alguma dificuldades, destaco que a suzana mandou muito bem na arrumação e distribuição dos moveis da parada até o leone” Flavio Barbosa.

“Eu fiquei na parada um pouco acima do Barbosa pois precisava ficar mais perto do Leone e a parada muito vertical é extremamente desconfortável pra duas pessoas e uma tralha enorme!
Leone pede os camalots, enviei todos, depois os nuts, tb enviei, e o via abandonando as peças pq elas não cabiam no diedro que é praticamente cego. Enviei os RPs e aí chegou uma hora em que disse:
SH: “Leone, qdo vc puder, olha pra mim pq eu tenho que te dizer uma coisa?!”
FL: com os olhos arregalados ele diz “O que foi Suzaaaanaaaa?”
SH: “Você não tem direito a me pedir mais nadaaaa! Eu já enviei todas as peças, está tudo no seu baudrier”! Suzana Hinds

3º dia de conquista (Leone e eu)
Tudo denovo… caminhada até a base etc…. Leone conquistou todo o diedro com várias peças, fez um artificial móvel, muito bonito vê-lo fazendo os lances, colocava cada peça e testava alguns “lances de coragem” (foi o local da via que demorou-se mais tempo para ser conquistado) logo após esse lance ele bateu uma chapeleta e proseguiu para a direita onde bateu uma parada dupla .

4º dia de conquista (Leone e eu)

tudo denovo anda até a base etc…. começamos a conquista , da parada dupla Leone foi indo para a direita até achar um diedro muito muito maneiro e ele foi subindo 5 m , 10 m , 15m , 30 m , 40 , 50 , SÓ EM MOVEL : Isso vale relatar a nossa conversa:

Leone : ” Barbosa to preso pode liberar a segurança ! ”
Barbosa: ” Calma ae você ta preso só nós moveis ??? “!
Leone ” Isso Barbosa pode vir que sua segurança ta pronta ! Pode vir ” ! ! ! !
Barbosa ” O Leone tem muitos grampos aqui você não quer bater um grampo ou uma chapeleta ???? ”
Leone ” Barbosa se eu bater grampo na fenda to morto no dia seguinte ” Pode vir que tá seguro ! ! ”

Tive medo mas fui no prussik os 50 m, quando chego na parada claro que era em móvel né, tinha umas 8 peças pois conforme eu ia subindo retirava a peça e pedia pro leone colocar, numa parada se faz com 3 peças moveis, eu tava com muito medo hahahah, esses 50 metros a pessoa pode fazer em agarra e as vezes em diedro

5º dia de conquista (Leone e Guilherme)

Não posso relatar pois não estava la , porem nesse dia a via foi praticamente finalizada com a conquista de uma bonita fenda pelo Guilherme Dolabella e Flavio Leone

6° dia de conquista: Leone, Barbosa e eu (Suzana)

Entramos pelo Vidigal, pelo cume e rapelamos pela Patrick White
Leone já havia conquistado o diedro, a fenda com o Guilherme Dolabella que ainda estava equipada e faltava terminar a última enfiada da via.
O tempo não estava lá grandes coisas rs… Leone no cume, perguntou o que achávamos de fixar a corda pra ele descer e bater uma parada dupla e nós desceríamos e daríamos segurança a ele… concordamos!
Leone fez o rappel, em seguida fizemos tb, entramos na via Contagem Regressiva e voltamos a dar segurança pro Leone conquistar. Ele bateu os grampos que julgou necessários e de repente CHUVAAAAAAAAAA!
Rapelamos pela fenda equipada em móvel sob chuva! Esse dia foi emocionante demais, mas demais mesmo pra todos nós! Nós ouvíamos os trovões e ainda faltavam pelo menos uns 120 metros pra rapelar. Descemos o mais rápido que pudemos na fenda onde o Leone me esperava na parada em móvel rs… Ele decidiu – e achei certo – que nós 3 não deveríamos ficar na parada em móvel. Então qdo cheguei, ele rapelou pra parada fixa e Barbosa começou a rapelar. Pra quem não sabe, eu fico meio desesperada com trovões… tudo travou em mim e eu não podia parar e olhava pra baixo e ainda tinha muita parede pra rapelar e o Barbosa não sabia (tadinho) que ia ficar sozinho numa parada em móvel (ele ainda morre de medo). Rapelei pra parada fixa após o diedro onde já se encontrava o Leone – que nos apressava – e então começamos o rapel em L mais difícil que já fiz, que chegava na parada dupla onde começa o diedro…
De repente a chuva parou e vejo o Leone tranqüiiiiilo fazendo “jardinagem” no diedro de sétimo grau que deu trabalho pro Barbosa limpar (tirar as proteções móveis)! Eu e Barbosa rapelamos e aí foi só diversão ainda que a chuva tivesse diminuído. Faltavam poucos metros pra chegarmos até a canaleta que dá acesso à base que se transformou num rio só e nos deixou completamente encharcados e felizes demais.

Há dois momentos muito felizes na conquista, na minha opinião: o dia em que começamos e o dia em que terminamos! O intervalo é só ralação e muita!!! O que também define bem a conquista é o trabalho de equipe! Em todos os momentos acordamos tudo: a carona, o que vamos levar, a estratégia, os procedimentos a serem adotados, os riscos que não devemos correr e a certeza da imprevisibilidade que a linha da via impõe ao conquistador e a quem está com ele! Tentamos ao máximo minimizar os riscos, especialmente o Leone que se sente de certa forma responsáveis por nós. Sempre subimos em corda fixa e também encordados nas enfiadas já conquistadas. Nesse processo inédito (conquista), não há betas, não se sabe se a agarra vai quebrar, não se sabe por onde a via vai continuar e muito menos quando acabará. No decorrer disso, nos vigiamos nos procedimentos, cada dia mais rápidos e precisos (espero eu) e aumenta o compromisso em equipe de cuidarmos uns dos outros e de tocar a via até o final. O mais difícil? Acompanhar o Leone, ele não pára! rs” Suzana Hinds

Semana passada fiquei muito feliz pois Daflon + Ralf + Leone, repetiram a via, isso foi excelente pois os 3 são grandes escaladores e conquistadores também, vão ajudar a dar o grau da via.

Agradecer a todos que ajudaram a conquistar; ao Daflon e ao Ralf pela repetição.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *